ACÚSTICA NAS IGREJAS

Parte I


Estou aqui de volta para orientar vocês sobre alguns questionamentos que recebi. Vou então fazer uma série de postagens respondendo cada questão. O nosso assunto de hoje responde sobre o que é e qual a importância do tratamento acústico nas igrejas. 

A igreja contemporânea é construída em torno da comunicação - seja ela verbal, musical ou emocional - assim como do culto. O ministro se comunica com a congregação pregando, liderando orações ou anunciando as atividades da igreja. A música,como parte fundamental do culto, comunica idéias e conceitos enquanto aumenta simultaneamente a experiência de adoração dos fiéis através do envolvimento emocional. A acústica do espaço de adoração tem um impacto profundo em todas essas funções.

Mas que é acústica? 

É uma ciência, governada pelas leis da física que nos ajuda a entender e a prever o modo como o som se comporta em um ambiente. Diz-se que um espaço tem boa acústica se ele fornecer um ambiente sonoro propício à maneira como queremos usá-lo. Por exemplo: um teatro não deve ter o mesmo tratamento acústico que um auditório dentro de um hospital. A função e o público são diferentes. Para um espaço de culto ter boa acústica, deve permitir uma boa comunicação verbal e musical. Uma acústica ruim dificulta essa comunicação.


A acústica de um espaço é determinada por sua arquitetura - sua forma geométrica, o modo como ela é finalizada - e pelo número de pessoas que a ocupam a qualquer momento. As ondas sonoras viajam em linhas aproximadamente retas, refletindo em superfícies duras ou lisas ou sendo absorvidas pelas superfícies macias ou porosas. O som de uma pessoa falando em um grande espaço com paredes lisas (vidro, pedra, azulejo, madeira, etc.) vai saltar por um longo tempo antes de morrer, e não é preciso muito esforço vocal para ser ouvido (o que não significa que será entendido) em todos os lugares nele. Esse espaço é chamado de reverberante ou “vivo”, e o som que ressoa pela sala é chamado de reverberação. Da mesma forma, o som de uma pessoa falando em uma sala com paredes de revestimentos macios ou porosos (cortinas, tapetes, almofadas, etc, e até com um número relativo de pessoas) não vai saltar muito antes de morrer. Será preciso muito esforço vocal para ser ouvido em uma distância equivalente neste espaço não reverberante ou “morto”, mas o som que passar será mais fácil de entender.

Por ser um espaço que tem música ao vivo, a igreja evangélica contemporânea é classificada no âmbito de impacto ambiental acústico em pé de igualdade com boates e casas de espetáculo, sendo-lhe exigido portanto os mesmos cuidados e tratamentos para garantir a saúde de seus fiéis e da vizinhança.

O espaço de adoração deve ser silencioso o suficiente para que os fiéis não se distraiam e, consequentemente, não tenha barulho adjacente que interfira na música ou na fala. Isto significa que barulhos que se originam fora da igreja (tráfego de rua, aviões, transeuntes, etc) e dentro da igreja (sistemas de ventilação ou condicionamento de ar, elevadores, crianças chorando ou brincando, grupos reunião em salas adjacentes, etc) devem ser controlados. Esse tipo de problema acústico é chamado de controle de ruído. As soluções são um bom design estrutural, um layout de construção inteligente para manter as principais fontes de ruído longe dos locais de culto e o design adequado dos sistemas barulhentos.


Os fatores que contribuem para um bom som em uma igreja devem ser incorporados ao projeto desde o início. Uma vez que a acústica de um espaço é tão altamente dependente de sua forma e acabamento, tentar melhorar a acústica após a conclusão do edifício é muitas vezes uma proposta muito cara. Ter os sistemas apropriados de alto-falantes e microfone instalados no lugar certo é fundamental para um bom desempenho do sistema de som. Se o arquiteto não previu o sistema correto de sonorização no projeto original do prédio, a congregação terá que escolher entre olhar os alto-falantes e caixas de som que funcionam bem mas têm que ficar expostos ou gastar muito dinheiro para fazer todo o sistema de som conforme deve ser feito para atender a demanda local e embuti-los numa reforma gigantesca.

Nem todas as igrejas precisam do mesmo tipo de ambiente acústico. Uma boa acústica para uma congregação pode ser insatisfatória para outra. Uma estrutura gótica por exemplo, é um ambiente maravilhoso para uma congregação cuja liturgia normal está enraizada na música européia ou acapella como os cantos gregorianos da igreja romana, se tiver um bom sistema de som para tornar a fala inteligível. A mesma igreja seria inutilizável para a música cristã contemporânea ou o estilo gospel da atualidade, e não funcionaria muito bem para uma apresentação de  jazz ou um coral tradicional evangélico contemporâneo.

Poucas igrejas evangélicas no Brasil buscam um profissional arquiteto para projetar os seus templos e salões anexos. O projeto arquitetônico  de igrejas e seus arquitetos devem fornecer um ambiente acústico que se encaixe na forma de adoração daquela congregação. O tratamento acústico dado a uma igreja Luterana é diferente do que deve ser utilizado em uma Assembléia de Deus. Quando uma igreja está sendo construída a partir do zero, é possível determinar o tamanho e a forma do espaço de culto, bem como a escolha e a colocação de acabamentos e mobília interna. Isso também significa determinar o projeto dos sistemas mecânicos, dos eletrônicos e os layouts dos diversos ambientes de forma a garantir que a igreja esteja silenciosa e livre de ruído interferente, a não ser o produzido pela fonte sonora especificada (microfones, caixas de som, caixas de retorno). Se o edifício da igreja já existe, isso pode significar uma grande reconstrução e / ou reforma do espaço de culto.

Um engenheiro acústico desenvolve um projeto completo do sistema, fornecendo informações ao arquiteto e a outros membros da equipe de projeto. Ele deve integrar alto-falantes, microfones, conduítes elétricos para fiação do sistema, localização e resfriamento da eletrônica do sistema e desenvolver um local de controle de som apropriado. Ele produz desenhos do sistema e uma especificação completa que pode ser usada para comprar o sistema a um preço competitivo de um bom fornecedor, procurando garantir que o sistema esteja instalado corretamente e inspecionando o sistema concluído para que funcione de acordo com a necessidade da liturgia ou do ritual de culto daquela congregação.

Você sabe quais são os limites que devem ser observados dentro e fora das igrejas? Sabe por quê e onde buscar essas informações? Fique atento pois é o assunto da próxima postagem!

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